7 maravilhas antigas do bairro Jaraguá, em São Paulo

Se pudesse eleger as 7 maravilhas antigas do bairro Jaraguá, quais você escolheria? A resposta para essa pergunta totalmente estranha ao nosso cotidiano pode até parecer informação inútil, porém, se você conseguir - por um momento - olhar as coisas além das necessidades imediatas do dia a dia e enxergar o nosso distrito como um local que possui um conjunto de pessoas que têm algo em comum e um destino em comum em longo prazo, verá que essa resposta fará sentido.

Detalhe do Casarão Afonso Sardinha construído (na região que conhecemos como Jaraguá) no período  das grandes navegações marítimas europeias, nos anos 1500
Detalhe do Casarão Afonso Sardinha construído (na região que conhecemos como Jaraguá) no período
das grandes navegações marítimas europeias, nos anos 1580
O fato é que, quanto mais pudermos vislumbrar e discutir informações históricas, geográficas, culturais, sociais, estatísticas, entre outras, sobre o nosso bairro, mais conseguiremos ampliar a nossa consciência coletiva acerca do espaço onde vivemos e do que somos dentro dele e, desta maneira, adquirir maior sabedoria para influenciarmos em conjunto o nosso destino.

Mas se, do contrário, não tivermos a consciência do que somos e nem do que poderemos ser, nunca saberemos para que lado caminhar, logo caminharemos sem nenhuma segurança. E o que é pior, deixaremos que outras pessoas alheias ao nosso cotidiano e ao nosso espaço decidam o nosso futuro por nós sem oferecermos qualquer tipo de resistência. Isso é mais ou menos como ter um barco, mas não ser o comandante e, dessa forma, não ter influência alguma nas decisões sobre os mares que deveremos ou não navegar e como deveremos navegar.
Por isso, saber detalhes acerca de como o nosso bairro se desenvolveu, discutir esses detalhes e traçar planos coletivos para o futuro é importante, ainda que (diante do nosso cotidiano de necessidades imediatas) não pareça.

Contudo, eu não proporia a você leitor que escolhesse os 7 monumentos antigos mais importantes do bairro e contasse as histórias deles sem participar da construção desse conhecimento contigo. Sendo assim, adianto minha resposta e, desde já, deixo o meu convite para que você publique também a sua nos comentários do final deste artigo.

Em minha resposta, que vai a seguir, considerei como "maravilhas antigas" aquelas construídas até a década de 1950, porém, você poderá criar as suas próprias regras.

AS 7 MARAVILHAS ANTIGAS DO BAIRRO JARAGUÁ


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O CASARÃO AFONSO SARDINHA

O Casarão Afonso Sardinha foi instalado aos pés do Pico do Jaraguá por volta de 1580, portanto, ainda no período das grandes navegações européias voltadas para a descoberta de novas rotas marítimas e para as explorações das Américas e da Austrália. Ele é, por isso, mais velho que o próprio bairro Jaraguá que, em 2016, completou 125 anos.

Antes, porém, de escrever mais coisas sobre este monumento, acho importante explicar que o escolhi como uma "maravilha" não por ser um símbolo bandeirante, escravagista ou do início do ciclo de exploração de ouro na região, mas unicamente pela sua longevidade. Ao visualizá-lo, devemos sempre lembrar que esse casarão é um símbolo aterrorizante sobre o quanto a ganância pode nos levar a destruir não apenas o Ambiente, mas toda e quantas culturas que se puserem contra os impulsos de conquistar, subjugar e poder, os quais fazem de nós menos do que humanos ou, se você preferir, desumanos.

A edificação possui 21 cômodos dotados de paredes de 80 centímetros de espessura construídas com a técnica de taipa de pilão que empregava barro, vísceras de animais, sangue e folhas secas para fins de preenchimento.

Casarão Afonso Sardinha
Casarão Afonso Sardinha
Além dos 21 cômodos, o casarão possui em seu subsolo uma senzala que, conforme me disse um gestor do Parque Estadual do Jaraguá (PEJ) que não quis se identificar, foi entulhada por integrantes do Albergue da Juventude que ocuparam o local ao longo de 20 anos em regime de comodato, a contar do ano de 1985, segundo nos dá a conhecer o Plano de Manejo do PEJ.

A casa leva esse nome atualmente porque foi o bandeirante e minerador Afonso Sardinha quem a construiu para servir como base de extração de ouro da região, atividade que começou a ser realizada a partir de 1590. Não obstante, ainda hoje há, nas imediações do casarão, um tanque de lavagem de ouro que fora usado por Sardinha.

De acordo com relato de fonte desconhecida citado no livro "Morro Jaraguá: o Senhor dos Vales" de autoria do historiador Wilson Alves de Castro, a primeira mineração registrada nos anais da Câmara da Vila de São Paulo de Piratininga partiu exatamente do sopé do Pico do Jaraguá, provavelmente do lugar hoje denominado Ribeirão das Lavras.

Ruínas das cavas de ouro daqueles tempos longínquos ainda podem ser visualizadas atualmente na região. O pesquisador do Instituto de Geologia da Unicamp, professor Dr. Celso Dal Ré Carneiro, relata em seu artigo "Cavas históricas de ouro do Jaraguá: o que resta para se preservar?" as condições em que se apresentam quatro dessas ruínas, são elas: Faldas do Morro do Quebra-Pé, Jardim Britânia, Morro Doce e Parque Nova Anhanguera.

Já o livro "Roteiro das jazidas e minas de ouro e outros metais e pedras preciosas existentes no Estado de São Paulo" publicado em 1892 por M. Barbosa e atualmente disponível em PDF ou para leitura online no site da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin Digital nos revela outras curiosidades. Em sua página 16 lê-se exatamente com estas letras do idioma Português antigo:

"Jaraguá. Esta serra demora nas visinhanças de S. Paulo, quatro léguas pouco mais ou menos, e é abundantíssima em ouro. As minas que alli existem foram descobertas em 1590 por um tal Affonso Sardinha. O ouro encontra-se no cascalho, coberto por uma camada de terra de alluvião de côr vermelha ferruginosa. E' pena estar abandonada. Além do ouro, ó rico em mineraes de grande utilidade."

Mais adiante, na página 31 do mesmo livro, lê-se:

"A direcção que tomamos para ir da cidade de S. Paulo a Jaraguá foi a principio quasi a este, e depois a este nordeste. Pernoitamos esta noite na fazenda de Jaraguá, e no dia seguinte 7, fomos visitar as antigas minas de ouro, conhecidas com os nomes de Quebra pedra Carapucuhü, Santa Fé, Ribeirão de Samambaia e ltahy. Sahindo do Jaraguá trepamos um monte escarpado, cuja direcção é quasi ao norte. Depois de o descer do lado do rio que o banha,observamos dous veios de quartzo, um de côr cinzenta, outro puxando mais para o branco, com manchas ferruginosas, dirigindo-se ambos para este. Pedaços d'estes veios, examinados com a lente, pareceram conter pequenas parcellas de ouro. e sem duvida alguma merecem ser melhor examinados. Deixando aquelles logares, observamos em um outro morro uma formação de mina de ferro argilloso vermelho, como a de Jaraguá."
O Casarão Afonso Sardinha está localizado dentro do PEJ, que fica na rua Antônio Cardoso Nogueira, 539, na Vila Chica Luisa. Os visitantes só podem observá-lo por fora. Para entrar dentro da edificação é preciso obter uma autorização dos administradores do parque, o que não é fácil de conseguir.

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AS RUÍNAS DA PEDREIRA DE QUARTZO DO PICO DO JARAGUÁ

Existe no Pico do Jaraguá uma área de 22.800 m² na qual estão localizadas as ruínas de uma antiga pedreira que pode ter sido usada para a extração de quartzo no início do século 20 e que, por isso, está possivelmente vinculada ao processo de industrialização e urbanização da cidade de São Paulo.

O período da operação dessa pedreira é, portanto, aquele que antecede a Primeira Guerra Mundial. Foi também quando iniciou-se a popularização dos automóveis e do rádio como meio de comunicação de massa no mundo. Em São Paulo construía-se e começava-se a operar o Moinho Matarazzo e a avenida Paulista inaugurada há pouco tornava-se a primeira via asfaltada do município.

Nas imediações dessa pedreira jaraguense podem ser visualizados ainda hoje os remanescentes de um muro de pedras muito grandes (confira no vídeo a seguir) e um tipo de guarita, ambos com aparência extremamente arcaica.


Nem todo mundo, no entanto, pode visualizar essas ruínas presencialmente, pois o lugar onde elas estão é de difícil acesso à população em geral. Elas estão localizadas em meio à mata densa dentro da Aldeia Guarani Tekoa Itakupé (uma das seis do bairro), que fica atrás do Pico do Jaraguá (para quem está dentro do distrito), com entrada na altura do número 1.000 da avenida Chica Luisa.

Estive, em outubro de 2016, no local e pude fotografá-lo e filmá-lo. A história completa do meu acesso naquela região está publicada no artigo "Conpresp quer tombar ruínas de antiga pedreira de quartzo localizada no Jaraguá".

A entrada da pedreira está localizada no número 1.000 da avenida Chica Luisa (clique para ampliar)
A entrada da pedreira está localizada no número
1.000 da avenida Chica Luisa (clique para ampliar)

Conpresp, para quem não sabe, é a sigla para Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo. Os profissionais dessa instituição geraram, em 2016, a Resolução nº 16 que tem como finalidade abrir processo de tombamento das estruturas remanescentes da referida pedreira, dada a sua importância para a história do município e das comunidades locais que, em outras palavras, somos nós que aqui vivemos.

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A ESTAÇÃO DE TAIPAS

A Estação Taipas de trens foi inaugurada no dia 1 de outubro de 1891 pela empresa São Paulo Railway Company Ltd. e somente nos anos 1940 é que começou a ser denominada Estação Jaraguá como a conhecemos hoje. Pouco antes, no fim dos anos 1880, ocorria a libertação dos escravos e a revolução industrial avançava no Brasil. No fim daquela década, residiam no país cerca de 17 milhões de pessoas com expectativa de vida de 33,4 anos, conforme o Censo Demográfico de 1900.
A estação ainda com o nome Taipas em data desconhecida. Foto: acervo Alberto del Bianco / Site: Estações Ferroviárias
A estação ainda com o nome Taipas em data desconhecida.
Foto: acervo Alberto del Bianco / Site: Estações Ferroviárias

De acordo com o senso comum, o bairro Jaraguá passou a existir no mesmo dia em que a Estação Taipas foi fundada, de modo que, no dia 1 de outubro de 2016 ambos completaram 125 anos de idade.

O nome "Taipa" se deve ao fato de que nas imediações haviam algumas residências construídas por meio da técnica de taipa, que consiste no preenchimento de gradeados de madeira com barro amassado para a produção de muros e paredes, exatamente como no caso do Casarão Afonso Sardinha.

A estação, por sua vez, foi construída com tipologia arquitetônica inglesa do período, a mesma adotada nas demais estações da São Paulo Railway Company Ltd. ao longo de toda a estrada de ferro Santos-Jundiaí, isto é, foi fabricada com ferro fundido e alvenaria de tijolos.


Hoje, os trens que perpassam pela atual Estação Jaraguá bem como os trilhos e meios tecnológicos que os permitem se locomover são relativamente seguros quando comparados aos do passado. Nos anos de 1895 e 1898, por exemplo, dois grandes acidentes ferroviários dentro do distrito mataram juntos ao menos 18 pessoas e feriram outras dezenas, segundo reportagens da época feitas pelo jornal Estadão, assunto este que você poderá ler no artigo "Primeira década do bairro Jaraguá foi marcada por grandes acidentes ferroviários".

Ao longo de sua história, essa estação sofreu inúmeros atos de vandalismo, sendo um dos piores deles o evento ocorrido em 1983, quando 6 mil passageiros depredaram dois trens no local. Além disso, ocorreram ao longo de décadas muitas colisões entre trens e automóveis no cruzamento da via férrea com a via urbana, que foi intermediada por uma cancela/porteira até 2009, ano em que o viaduto foi instalado. Essas situações são relatadas por mim em detalhes no post "12 imagens de satélite revelam a evolução do Centro do bairro Jaraguá".

Em outubro de 1983, cerca de 6 mil passageiros depredaram dois trens na já denominada Estação Jaraguá (antiga Estação Taipas). Foto: acervo Felipe Araújo do Jornal da Tarde / Site: Estações Ferroviárias
Em outubro de 1983, cerca de 6 mil passageiros depredaram dois
trens na já denominada Estação Jaraguá (antiga Estação Taipas).
Foto: acervo Felipe Araújo do Jornal da Tarde /
Site: Estações Ferroviárias
No dia 7 de novembro de 2011, a Estação Taipas/Jaraguá foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) com sua inscrição no nº 382, página 111, no Livro do Tombo Histórico. A Resolução 75, que se refere ao processo de tombamento, já havia sido publicada no dia 19 de agosto de 2011 no Diário Oficial.

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A PRIMEIRA CASA DE ALVENARIA DO BAIRRO JARAGUÁ


Como vimos anteriormente,  em 1891 a Estação de Taipas foi finalizada e mais ou menos uma década depois foi erguida com a mesma técnica de construção no (hoje) número 209 da avenida Jerimanduba, aquela que - segundo o livro "Jaraguá: meu bairro, minha cidade" da Prefeitura Municipal de São Paulo - foi a primeira casa de alvenaria do bairro Jaraguá.

Parte do exterior da primeira casa de alvenaria do Jaraguá onde funciona atualmente a floricultura "Flores Casa Blanca"
Parte do exterior da primeira casa de alvenaria do Jaraguá onde funciona atualmente a floricultura "Flores Casa Blanca"
Para relembrar, a técnica da alvenaria consiste em empilhar e fixar tijolos por meio de argamassa. Antes da primeira casa de alvenaria, as moradias da região eram erguidas em taipa, um método que emprega gradeados de madeira preenchidos com barro para a produção de muros e paredes.

Desde 1993 funciona na referida residência a floricultura "Flores Casa Blanca", administrada pela família Onoda. O imóvel é alugado e, de acordo com Alex Onoda, pertence à família Azambuja.

Em uma visita que fiz à "Flores Casa Blanca" em 2016, a qual resultou no artigo "Primeira casa de alvenaria do bairro sobrevive ao tempo e ultrapassa 100 anos", Alex me disse que foram os Azambuja quem a construíram por volta de 1900 e 1910. Para quem gosta de misturar brasileiro com alemão, essa foi a mesma década em que Santos Dumont revolucionou a aeronáutica ao se tornar o primeiro homem a voar em um avião impulsionado por um motor a gasolina e que Albert Einstein começou a revolucionar a Física ao publicar a Teoria da Relatividade Restrita que substituiu a ideia de espaço e tempo interdependentes da Teoria de Newton pela ideia de que o espaço-tempo é uma entidade geometricamente integrada.
Um dos cômodos da residência
Um dos cômodos da residência

Voltando à residência, esta possui sete cômodos. Alex conta que, no passado, ela era usada como hospedaria para turistas que viajavam do centro da cidade para o interior de São Paulo.

Atualmente corre entre alguns moradores do distrito a lenda de que a mais célebre amante de Dom Pedro I, chamada Domitila de Castro Canto e Melo, e também conhecida como Marquesa de Santos, teria se hospedado na referida casa por algumas noites. Esse mito, no entanto, é facilmente desmentido, posto que a Marquesa viveu de 1797 a 1867, portanto, antes que a técnica da construção em alvenaria fosse trazida para o nosso distrito e que a hospedaria dos Azambuja fosse instalada na avenida Jerimanduba.

Recentemente, a família Onoda descobriu que o telhado antigo do imóvel que tinha telhas feitas literalmente nas coxas de escravos estava cheio de cupins e, por isso, teve que substitui-lo por um telhado novo.

Ao longo dos quase 25 anos nos quais ocupa a primeira residência de alvenaria do bairro Jaraguá, a família Onoda construiu no lugar aquela que talvez seja a mais tradicional, famosa e bem-sucedida floricultura do distrito.

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O TAIPAS F.C.

Em 1926, mesmo ano em que o advogado, historiador e político brasileiro de nome Washington Luís Pereira de Souza (ou simplesmente Washington Luís) se tornara o 13º presidente do Brasil, fundava-se no bairro Jaraguá, ao noroeste de São Paulo, o primeiro clube de várzea da região, o Taipas Futebol Clube.
O campo do Taipas F.C. Foto: acervo Taipas F.C.
O campo do Taipas F.C. Foto: acervo Taipas F.C.

O Taipas F.C. foi inaugurado no dia 7 de setembro daquele ano, o que significa que ele atravessou períodos históricos como o da Crise Econômica Mundial de 1929, o da Segunda Guerra Mundial, o da queda do Muro de Berlim e o da ditadura militar no Brasil, entre outros, para em 2016 poder comemorar o seu 90º aniversário.

Como é de costume na região, esse clube é chamado de "Taipas" devido à técnica de taipa, já explicada anteriormente, com que as residências eram construídas até o início do século 20 nessa localidade.

Nos últimos tempos, o time do Taipas F.C. tem feito amistosos e disputado torneios como o da Copa Libertadores da Várzea, os quais são sempre anunciados em sua fanpage no Facebook. Exemplo de resistência e resiliência, esse clube é, na várzea, a cara do bairro Jaraguá.

O Taipas F.C. está sediado na rua Dr. Rafael de Araújo Ribeiro, 1.118, ao lado dos trilhos de trens da CPTM, a meio caminho das estações Jaraguá e Vila Aurora.

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O CORETO DE TAIPAS


Fundado entre os anos 1920 e 1950, o Coreto de Taipas é uma das edificações culturais mais antigas do bairro Jaraguá. Ele está localizado no cruzamento da Estrada de Taipas com a Avenida Raimundo Pereira de Magalhães.

Coreto de Taipas em 2016. Foto: acervo TBJP-ZN
Coreto de Taipas em 2016. Foto: acervo TBJP-ZN
O período da instalação do coreto foi o mesmo em que se desencadeou as consequências da Semana de Arte Moderna ocorrida entre os dias 11 e 18 de fevereiro de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo, a qual visava renovar o ambiente artístico e cultural do município.

O lugar onde o Coreto de Taipas foi construído era usado antigamente por tropeiros para descansar o gado trazido da cidade de Campinas com destino ao que conhecemos hoje como distrito de Pirituba, onde existia um matadouro.

Desde as suas origens, essa edificação serviu como palanque para procissões, festas e atividades culturais e de lazer na região. Nas últimas duas décadas, ela foi reformada ao menos duas vezes, sendo uma em 2003 e outra no início de 2017 (leia "Coreto de Taipas é reformado" para saber mais).

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O PRIMEIRO GRUPO ESCOLAR DO JARAGUÁ


O primeiro grupo escolar oficial do bairro Jaraguá de que se tem notícia passou a existir provavelmente no início dos anos 1950, mas só foi denominado Grupo Escolar Professora Isabel Vieira de Serpa e Paiva alguns anos adiante por meio do Decreto nº 26.118, de 16 de julho de 1956 assinado pelo (na época) governador do Estado de São Paulo, Jânio Quadros.

Escola Isabel em 2016
Escola Isabel em 2016
No mesmo período em que esse colégio jaraguense surgia, chegava ao Brasil a televisão. A tecnologia foi trazida ao país pelo empresário Assis Chateaubriand que, por sua vez, fundou em 1951 a TV Tupi, a primeira emissora de televisão nacional. No exterior, a União Soviética lançara (em 1957) no espaço o Sputnik 1, que entrou para a história como o primeiro satélite artificial do planeta Terra.

Nos esportes, essa época ficou marcada pela vitória da Seleção do Uruguai na final da Copa do Mundo de 1950 frente à Seleção Brasileira de Futebol que, oito anos mais tarde, venceria a Copa do Mundo de 1958.

Falecida em tal período, a professora Isabel que deu nome à referida escola, havia se aposentado em 1942 após 30 anos de magistério. Além de dar aulas, Isabel era poetiza. É dela o livro "Evocações" (1954, 153 páginas).

O projeto original do prédio da hoje Escola Pública Estadual Isabel Vieira de Serpa e Paiva é (segundo a dissertação de mestrado "Convênio escolar: utopia construída" apresentada à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo por Ivanir Reis Neves Abreu) resultado do chamado "2º Convênio Escolar" (acordo entre Município e Estado com o objetivo de zerar o déficit de 1.200 salas de aula na cidade de São Paulo até o fim do IV Centenário).

No escopo do "2º Convênio Escolar" estava a construção de 52 edifícios escolares em cujos programas arquitetônicos foram integrados os conceitos de:
  • Escola aberta à comunidade
  • Inclusão das crianças carentes
O edifício da escola Isabel teve o mesmo projeto da EE General Antônio de Sampaio (1950) e da EE República do Chile (1950), com implantação de dois blocos articulados com circulações cobertas em um terreno em aclive.

A Escola Isabel está localizada na avenida Jerimanduba, 561. Segundo dados do Censo 2015 publicado no QEdu, ela conta com pouco mais de 60 funcionários, infraestrutura com água filtrada, esgoto da rede pública, coleta de lixo periódica, acesso à internet, 8 salas de aula, salas para diretores e professores, quadra poliesportiva e refeitório, entre outras dezenas de recursos.

Desde a inauguração do grupo Isabel foram implantados mais de uma centena de colégios no distrito. Leia o artigo "Bairro Jaraguá sai de 0 para mais de 130 escolas nos últimos 70 anos" para saber mais sobre essa evolução.

CONCLUSÃO


Maravilhas antigas como estas mencionadas neste artigo agregam valor ao nosso distrito. Ao pesquisá-las e conhece-las, nós ampliamos a nossa consciência acerca do bairro Jaraguá, o que nos proporciona mais facilidades para falar sobre o lugar onde moramos, para tomar decisões e agir coletivamente.

As 7 maravilhas antigas do bairro Jaraguá aqui citadas não são decretadas por nenhuma instituição, de modo que você pode organizar a sua própria lista de monumentos antigos com as regras que desejar. Fique a vontade para fazer isso nos comentários abaixo.

Sobre o Autor:
Marinaldo Gomes Pedrosa Marinaldo Gomes Pedrosa é formado em Jornalismo pela UniSant'Anna. Vive no bairro Jaraguá desde 1976.

Comentários

  1. Nasci no Bairro do Jaraguá, depois morei nos bairros e Campos Eliseos e Perdizes, mas depois de muitos anos voltei para o Jaraguá para ficar perto dos meus pais e irmãs e creio que aqui ficarei até o fim da vida.... um detalhe, o Jaraguá tem mais uma maravilha em minha opinião, o Santuário de Schoenstatt, um lugar lindo e tranquilo para se meditar... parabéns pelo seu artigo sobre nosso bairro... muito bem elaborado... Cristina Diniz

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    1. Bacana, Cristina! Obrigado pela sua participação! :-D

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  2. Muito interessante.
    Meu TCC será sobre o Jaraguá e seu site está me ajudando bastante.
    Parabéns pelo trabalho.

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    1. Oi, Jéssica! Obrigado! Eu gostaria muito de dar uma lida no seu TCC depois que ele ficar pronto! :-)

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    2. Seria um prazer, mas vai demorar um pouco até ficar pronto hehe

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    3. Me dá uma entrevista quando terminar para eu postar aqui. Seu TCC é para curso técnico ou universitário? Qual sua área?

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  3. Meu TCC é para a finalização da escola mesmo. Estou no terceiro ano do ensino médio. O trabalho está sendo feito em grupo, se quiser entrevistar todos, á vontade também.

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    1. A nossa escola é a Thayne Luzimara Costa Valcacer, o antigo Jardim Aurora. Perto da empresa Voith, conhece?

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    2. Eu vi agora no Google Maps que essa escola fica no mesmo lugar que a Oscar Blois. As duas ficam no mesmo edifício? É isso mesmo? Eu já estive na escola Oscar Blois uma vez.

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  4. A escola Thayane fica uns 5 minutos de carro da Oscar Blois. Em vez de você parar na Oscar, você segue reto até ver o logo da empresa Voith, depois vira a direita e segue mais reto ainda hurhurh, depois vira a direita de novo quando ver os prédios da CDHU VOITH.

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    1. É muito fácil de se chegar. Mas não são os mesmos edifícios.

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    2. Bacana. Me avisem quando terminarem! :-)

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    3. Você se importaria de responder algumas perguntas para nosso trabalho? XD

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    4. Posso responder, sim. Me mandem as perguntas pelo e-mail que está lá na guia "contato" desse site. Fico no aguardo :-)

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